Heróis

Quando ela colocou este cartaz na sua porta, nunca esperou receber este tipo de resposta.

eunir-ecodEunir de Faria é professora e reformou-se recentemente. Como grande parte dos reformados, Eunir sentia que ainda tinha capacidade para trabalhar e continuar a usar o talento que tinha desenvolvido durante toda a sua vida. E por isso lembrou-se de voluntariar o seu tempo, a troco de nada, para ensinar adultos a ler e escrever.

As aulas são dadas em sua casa, onde tem espaço para duas mesas e dez cadeiras, e o método utilizado foi criado por ela mesma, ao longo dos anos de trabalho. Na porta de entrada, Eunir colou um cartaz onde anuncia “Ensino grátis Ler e Escrever (adulto)”. Em pouco mais de uma semana, a professora conseguiu preencher todas as vagas e criou até um turno noturno, para poder dar aulas também a quem trabalha.

A professora refere que com este trabalho “Me sinto melhor como pessoa e ao mesmo tempo volto a fazer o que me dá prazer: dar aula. Como moro sozinha também é uma forma de estar sempre acompanhada”.

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No dia depois de colocar o cartaz na porta de entrada, Eunir recebeu uma chamada de uma senhora que queria assistir às suas aulas. A mulher chorava, dizendo que iria finalmente ser capaz de ler e escrever. Para a professora, essas palavras foram de pura emoção e diz que “[isso] me fez ter a certeza que o dinheiro não tem muito valor quando o assunto é educação. Proporcionar uma vida diferente ao outro, isso sim não tem preço”.

E não tem, literalmente, preço já que a professora está a usar materiais antigos da sua profissão e por isso os alunos não precisam de pagar. A única coisa que têm de comprar é um caderno e materiais de escrita, que podem ser tão simples como um lápis e uma borracha.

A professora – e nós também – espera que esta ideia se espalhe junto de outros professores, que tenham capacidade de receber alunos mesmo depois de se reformarem. Afinal, como a própria diz, “O mal espalha muito fácil, mas o bem nem sempre. É necessário sacrificarmos um pouco para ajudar o outro. Isso é ser humano e eu desejo sim ser um exemplo já que o Governo não dá a atenção que a educação merece”.

Fotografias e artigo original na página ecodesenvolvimento.