Inspirações

O sexo comparado a uma chávena de chá.

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Este é um assunto polémico, mas que precisa de ser revisitado não apenas por mulheres, como também pelos homens. É importante que cada pessoa da relação saiba quais são os seus direitos e quais são os limites que não deve ultrapassar, para não por em causa os direitos d@ companheir@. E claro está, este é um assunto que afeta todos igualmente, não apenas mulheres.

Para dar voz a este assunto, a Blue Seat Studios criou este vídeo satírico, bem-disposto e inteligente, onde o sexo é comparado a uma chávena de chá.

A tradução que lhe deixamos aqui é livre, uma vez que o vídeo só tem legendas em inglês:

«Se ainda tem dificuldades em compreender “consentimento”, imagine apenas que em vez de iniciar o ato sexual está a preparar-lhe uma chávena de chá. Dirá:

– Então, queres uma chávena de chá?

E a pessoa responde:

– Oh meu deus, sim, ia adorar uma chávena de chá! Obrigado!!

E assim fica a saber que a pessoa quer uma chávena de chá. Mas se disser:

– Então, queres uma chávena de chá?

E a resposta for:

– Hmm, não sei, não tenho a certeza…

Nesse caso pode fazer uma chávena de chá, ou não, mas tenha atenção que a pessoa pode não a beber. E se não a beber, e esta é a parte importante, não a force a beber! Só porque a fez, não significa que tenha o direito de ver a pessoa bebê-la.

E se a pessoa disser:

– Não, obrigado!

Então não lhes faça a chávena de chá! De todo! Não a faça. Não faça a pessoa beber chá, não fique chateado se ela não quiser beber; ela não quer chá! Ok?

Talvez a pessoa diga:

– Sim, por favor. É simpático da sua parte.

E quando chega com o chá, ela mudou de ideias e já não quer o chá. Claro que pode ser frustrante, por ter tido o trabalho de preparar o chá, mas a pessoa continua a não ter qualquer obrigação de o beber. Antes queria, agora já não quer.

Algumas pessoas mudam de ideias no tempo que demora a ferver a água, infundir o chá e adicionar-lhe o leite. E não faz mal as pessoas mudarem de ideias. Mas você continua a não ter o direito de as obrigar a beber o chá.

E se a pessoa estiver inconscientes, não lhe dê chá! Pessoas inconscientes não querem chá. E não lhe podem responder à pergunta “Queres chá?”. Porque estão inconscientes. Até podiam estar conscientes, quando lhes perguntou se queriam chá, e terem dito que sim. Mas no tempo que demorou a ferver a água, infundir o chá e adicionar-lhe o leite, ficaram inconscientes. Nesse caso, ponha o chá na mesa. Certifique-se que a pessoa está segura. E esta é novamente a parte importante: não as force a beber o chá. Disseram que sim antes, tudo bem, mas pessoas inconscientes não querem chá.

Se alguém disser que sim ao chá, começar a beber, mas ficar inconsciente antes de o acabar, não continue a por-lhes o chá pela goela abaixo! Leve o chá para outro lado. Certifique-se de que a pessoa está segura. Porque pessoas inconscientes não querem chá. Acredite em mim…

Se uma pessoa lhe disse que aceitava beber um chá consigo no sábado, isso não significa que ela queira chá todos os dias. A pessoa não vai querer que lhe apareça à porta de casa inesperadamente com um chá e a force a beber, dizendo “mas querias chá na semana passada!”. Ou que a acorde com uma chávena de chá em cima dela, dizendo “mas ontem à noite querias chá!”.

Se consegue compreender quão estúpido é forçar alguém a beber chá quando a pessoa não quer, e se consegue perceber quando as pessoas não querem chá, então quão complicado é perceber isso relativamente ao sexo?

Seja chá, ou sexo, consentimento  é a palavra de ordem! E, dentro do assunto, vou beber um chá.»

Locução por Graham Wheeler.

O artigo original foi publicado no True Activist