Inspirações

O pai dela achou que o projeto de escola era apenas coisa de miúdos. Ele não podia estar mais errado.

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Por aqui gostamos de iniciativas verdes, que façam do mundo um lugar melhor para se viver. Isto pode ser conseguido aproveitando os recursos naturais ou simplesmente ao reutilizar materiais que de outra forma seriam deitados fora e desperdiçados.

Já falámos do exemplo da Suécia, que converte lixo em energia térmica, e do exemplo de Cabo Verde, onde um empresário criou uma transportadora pública totalmente verde.

Mas ambos os exemplos dados foram iniciados por adultos, pessoas que fizeram pesquisas atrás de pesquisas para calcular o impacto que o seu projeto teria na realidade.

Mas será que só os adultos é que conseguem criar soluções para o futuro do planeta?

Não! As crianças também o podem fazer, e Cassandra Lin é a prova viva disso mesmo.

Depois de aprender, aos 10 anos, o que eram os combustíveis fósseis e qual o seu impacto no ambiente, Cassandra percebeu que era apenas uma questão de anos até que a cidade onde vive, Westerly, estivesse completamente submersa, engolida pelas águas do oceano como resultado do aquecimento global.

Numa assembleia da Câmara Municipal de Westerly, Cassandra e alguns dos seus amigos foram ouvidos pelos deputados. O grupo de crianças apresentou uma pequena atuação, onde adereçavam o problema em questão: “O nosso Estado de Rhode Island pode tornar-se num estado submerso até 2100, se o aquecimento global continuar a aumentar a este ritmo” disseram.

Mas o grupo não se limitou a apresentar o problema, eles propuseram também a solução: Transformar Gordura em Combustível (Turn Grease Into Fuel, em inglês). E a estratégia era simplicíssima!

Os restaurantes da cidade doariam o seu óleo usado, que posteriormente seria filtrado e transformado em biodiesel. Este, por sua vez, seria utilizado para aquecer as casas dos mais necessitados.

Com esta ideia solucionavam-se não apenas um, mas três problemas:

  1. as emissões de CO2 provocadas pelo uso de combustíveis fósseis seriam reduzidas;
  2. o óleo usado pelos restaurantes não seria desperdiçado e não ficaria a poluir lençóis freáticos ou aterros sanitários;
  3. as famílias com menos possibilidades económicas teriam as suas casas aquecidas a custo zero.

Além da adesão dos mais de 100 restaurantes até à data, Cassandra e os seus amigos puderam ainda contar com o apoio da cidade de Westerly, que lhes ofereceu um local para a reciclagem e tratamento dos óleos usados.

O projeto, que começou em 2009, continua a vingar e atualmente já reciclou óleo suficiente para compensar as emissões de mais de 1.350 toneladas de dióxido de carbono (equivalente à pegada de carbono anual de mais de 80 pessoas), aquecendo as casas de cerca de 400 famílias da cidade. E já não se limita apenas à cidade de Westerly, tendo-se estendido a mais 3 estados.

O pai da menina, Jason, lembra-se de pensar “Este é um projeto de miúdos. Vai durar provavelmente um ano ou dois, no máximo.” mas não podia ter estado mais errado.

Já Cassandra, atualmente com 17 anos, não vê um fim para o projeto, que espera que se estenda a todas as cidades dos Estados Unidos da América num futuro próximo.