Curiosidades

O nome desta nova espécie de polvo pode mesmo vir a ser Opistotheuthis Adorabilis! E é fácil perceber porquê!

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É sabido que o fundo do mar nos reserva inúmeras surpresas. Há milhares de espécies que ainda temos de vir a conhecer, mas diariamente surgem espécies novas, animais que ainda não tinham sido listados e que surpreendem a comunidade científica – e nós, leigos!

E é sobre esta nova espécie que o pequeníssimo documentário da Science Friday, se debruça. Deixamos-lhe aqui a tradução livre do mesmo, pois as legendas só estão disponíveis em inglês:

«Este é o Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey também conhecido por MBARI.

Escondido lá dentro está uma sala fria, com um pequenino segredo. Dezenas de ovos de um polvo raro foram incubados há mais de um ano, e podem continuar a incubar durante mais alguns anos, antes de abrirem.

Os ovos são desta criatura – um cefalópede ainda por descrever, do fundo do mar, sem nome formal.  É do género Opistotheuthis, mas além disso não se sabe muito mais.

Stephanie Bush, do MBARI, tem o distinto privilégio de descrever este polvo tão peculiar.

“Estamos a olhar para características morfológicas específicas desta espécie que a diferenciem de outras espécies. São muito gelatinosos e frágeis e têm uns olhos relativamente grandes, para o tamanho do corpo.  Porque eles são bastantes pequenos! Tem uma membrana bem desenvolvida entre os seus tentáculos e abrem-na para depois descerem, quase como num pára-quedas. E mudam de direção graças às barbatanas no topo do seu manto.”

“Como alguém que está a descrever a espécie, podemos escolher o nome específico que ele terá. Um dos nomes em que pensei foi Opistotheuthis Adorabilis, porque ele é realmente muito querido!”

Apesar de ainda não terem sido descritos, os primeiros espécimes foram recolhidos em 1990.

“O que eu faço quando trabalho com um destes animais preservados é dissecá-los e analisar o sistema digestivo, começando do bico e descendo até ao estômago até sair pelo outro lado. E depois fazemos o mesmo para o sistema reprodutor. Eu tiro o sistema reprodutor, tiro fotografias das várias partes, meço o tamanho dos ovos maduros. O sistema reprodutor consiste no ovário, que está cheio de ovos, e depois o ovário conduz à trompa e a trompa conduz à glândula oviductal. Esta glândula é a responsável por produzir a gelatina do ovo e colocá-la à volta dele. E depois ele sai, para o mundo!”

Os espécimes preservados fornecem um valioso discernimento acerca da anatomia do polvo e do seu comportamento, o que é muito prático para quando se lida com os animais vivos.

No início de 2014, vários Opistotheuthis foram recolhidos na Baía de Monterey, para pesquisa. Mas manter uma criatura do fundo do mar, e ainda por descrever, viva e aos cuidados humanos não é tarefa fácil! Felizmente a equipa de MBARI tem o apoio de Bret Grasse, do Aquário de Monterey. 

“A nossa relação com o MBARI é muito especial porque utilizamos o conhecimento deles acerca destes animais no mundo selvagem e nós podemos usar a nossa perspicácia e habilidades técnicas para recriar as condições do seu ambiente natural.”

“Muito bem, sigam-me. Então, aqui temos o tanque onde mantivemos o nosso Opistotheuthis. É um tanque bastante fundo, por isso dá-lhe muito espaço vertical para se movimentar. Também temos esta luz vermelha. A razão de escolhermos vermelho é por esta ser uma cor que se dissipa rapidamente na água do mar, e os olhos deles não estão preparados para ver esse espectro de luz. Os refrigeradores mantêm a temperatura da água muito baixa, para os nossos animais, e baixámos também a concentração de oxigénio para darmos o ambiente mais confortável a estes animais enquanto eles se encontram connosco.”

E aparentemente o Opistotheuthis estava tão confortável no tanque que deixou uma surpresa no fundo! Os ovos foram cuidadosamente removidos do tanque e transportados novamente para o MBARI, onde podem desenvolver-se em paz.

“Já passou pelo menos um ano, desde que se começaram a desenvolver e ainda não  estão prontos. Pode demorar entre dois anos e meio a três para que os ovos estejam prontos para rebentar.”

Este tempo de incubação não é novidade nas criaturas do fundo do mar. E quando os ovos finalmente se abrirem, terá valido muito a pena esperar.

“Estes animais pertencem ao grande ecossistema oceânico e, para termos um ecossistema saudável e funcional, precisamos de compreender a ecologia e o comportamento das espécies individuais.”

Locução da Science Friday, por Christian Baker.»

Artigo original: HuffingtonPost