Emoções

Este lar juntou os mais velhos e os mais novos e o resultado é pura magia!

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(crianças cantam uma canção de bons dias)

Este é um sítio onde a magia acontece.

“Eu adoro crianças. Eu tenho tanto divertimento com elas.”

(senhor canta bons dias para as crianças)

Este é Providence Mount Saint Vincent, em Seattle. Os residentes, carinhosamente, chamam-lhe o Monte. É um lar de terceira idade, como nenhum outro; onde os muito velhos e os muito novos passam o seu dia juntos.

“Agora pões a tua mão por cima, assim.”

Onde os anos se tornam momentos.

“Vocês estão a jogar juntas!”

“Podes contar comigo?”

Patricia Loan tem 94 anos, teve 7 filhos em 11 anos.

“Agora tenho a oportunidade de me sentar e observá-los. Porque quando eram os meus filhos, eu tinha de me apressar para lavar a roupa, para isto, para aquilo. Sempre às pressas.”

“E agora pode só observar.”

“Agora posso, posso divertir-me.”

O Monte tem 400 residentes e 125 crianças, que vão à creche no mesmo edifício. Os empregados tiveram esta ideia há 20 anos, mas foi Charleen Boyd que a tornou naquilo que é.

“Estas crianças vivem o presente, no momento. E os residentes também. E quando juntamos estas duas coisas, é uma ligação tão forte!”

Charleen é a directora do centro. Os pequeninos têm o seu próprio espaço definido, mas ela assegurou-se que todo o edifício tivesse licença para o cuidado de crianças, iniciando algo raro e de grande valor.

“Alguém que tenha demência severa, pode abrir-se e ver a alegria na sua vida, lembrar-se do que era ser pai ou mãe, do que era estar nesse momento. Esse presente perfeito é o que vemos todos os dias.”

Esse presente perfeito é encontrado num local onde o tempo parece parar. A idade média dos residentes aqui é 92 anos. As crianças são parte das suas vidas diárias, tanto espontaneamente, como de forma planeada.

“Eu adoro, adoro mesmo. Sempre que eles vêm, eu venho e chego ao lugar onde sei o que os chamar e adoro!”

“O que é que gosta neles?”

“Bom, primeiro que tudo eles são tão fofinhos que chega a ser estranho! Mas sentir a pele deles e o corpo tão suave, é tão bom. E gosto mesmo, gosto mesmo de ver os miúdos.”

“É uma daquelas coisas, ou se gosta de crianças ou não se gosta. E eu adoro-os! Adoro abraçá-los e apertá-los, cantar canções para eles (entoa uma canção).”

O Monte sempre fez da sua missão ser uma casa de vida e não de morte. Providenciar um sentimento de comunidade num local onde ninguém quer estar.

“Não está muito quente pois não?”

“Não.”

Das tarefas, ao cabeleireiro, às festas semanais celebrando grandes marcos, o modelo é menos médico e mais acerca de interacções sentidas.

As crianças são parte desse ritmo natural. De vidas a crescer mais silenciosamente e, com frequência, mais remotamente.

“Vocês são uma grande ajuda. Muito obrigada!”

Muitos residentes como Henrietta Turner têm demência. Tempo com as crianças faz parte do seu plano de cuidados, para ajudar a reduzir a ansiedade, para os ajudar a interagir e para destrancar pedaços de vida que, lentamente, se vão esvanecendo.

“É o ciclo completo da vida. Acho que é extremamente importante que estes idosos não estejam longe da vista e do coração, que todos nós envelhecemos e que não envelhecemos todos de maneira perfeita e que só porque eu estou numa cadeira de rodas, ou num andarilho, ou porque tenho demência não significa que não seja humano. E estas crianças estão a aprender esta humanidade desde tenra idade. O seu riso e o espírito que eles trazem, sem qualquer intenção, sendo eles mesmos, e essa ligação é tão forte, essa magia que acontece que não conseguimos apenas guardá-la.”

E há laços mágicos que desafiam quaisquer palavras.

“Lorenzo, olá! (Canta)”

Jim Nelson tem 77 anos e mudou-se para o centro há 6 anos, depois de uma série de quedas. A família não visita com frequência. E Enzo, com 3 anos, é uma importante parte da sua nova família.

“Que canção é que gostas de cantar?”

(menino responde)

(Jim canta)

“Quando eles vêm, eu gosto de fazer coisas com ele. Não gosto de passar só o tempo. Eu acho que lhe estou a ensinar coisas positivas. Para quê reclamar e gemer sobre coisas que eu não consigo mudar? Mas podemos, se dissermos “eu consigo fazer isto”, “eu vou fazer isto”, vamos continuar!”

É uma filosofia incrivelmente simples, e tão poderosa! Mount Saint Vincent nunca fez nenhum estudo formal para somar os efeitos de todos estes momentos, para medir as quantidades de felicidade. A maioria das pessoas que aqui vivem, só cá ficarão por 2 anos e a maior parte lhe dirá que a alegria está sempre em cada esquina.

“Digo-lhe, todos amam estas crianças.”

Mary Gonzalez tem 75 anos, mudou-se para o centro há 1 ano, depois de uma lesão na anca. Ela tem 6 filhos e 7 netos, que vê com frequência, mas diz não se fartar das crianças do centro.

“O meu coração está cheio. O meu coração está cheio! Porque eles são tão adoráveis, são tão maravilhosos, eu adoro-os! Eles fazem a minha vida.”

E todos os dias, depois de eles irem, ela vai visitá-los.

“Eu adoro-os! Como pode alguém não os adorar?”

Mais um momento onde luzes enfraquecidas ainda brilham com tanta força!