Heróis

Conheça os heróis que arriscam diariamente a sua vida para salvar centenas de escravas.

Khaleel al-Dakhi é um homem Curdo que, em meados de Agosto, foi capturado juntamente com milhares de outros homens, mulheres e crianças da sua região, pelo grupo de jihadistas do Estado Islâmico (ISIS).

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Ao contrário da maioria dos homens, que foram brutalmente assassinados, as mulheres e crianças tiveram um destino diferente: milhares de mulheres, de todas as idades, foram raptadas pelo grupo naquele que é, neste século, o maior rapto de mulheres já registado.

yazidi_resgatadaDada a falta de apoio governamental, a função de salvar e recuperar as várias mães, filhas, mulheres e avós desses homens ficou assim a cargo deles próprios. E Khaleel al-Dakhi é precisamente o cabecilha desta iniciativa. Até ao momento, este grupo já resgatou 530 mulheres e crianças, arriscando diariamente a sua vida por elas.

Para tal, Khaleel conseguiu a cooperação de 100 agentes infiltrados no grupo, que levam telefones para as mulheres e Khaleel comunicarem – para que ele possa conhecer as caracterísitcas de cada fuga – e ajudam depois a recolocar as mulheres em locais de podem depois sair mais facilmente com a ajuda de Khaleel e os seus homens. Até agora, 3 destes homens já foram capturados e mortos pelo Isil, como castigo pela ajuda às reféns.

prisinoeira_livreMas na verdade, as primeiras mulheres e crianças saíram do cerco sozinhas. “No princípio era tão complicado salvá-las. Nessa altura [em que as mulheres conseguiram fugir] o Isil estava mais preocupado com o seu armamento e não prestavam tanta atenção às reféns, por isso é que elas conseguiram escapar sem que ninguém as ajudasse. Além disso, as fronteiras entre Isil e Sinjar não eram tão protegidas como são agora.” – diz Khaleel ao Telegraph.

E foi graças a essas mulheres que Khaleel conseguiu saber como estava organizado todo o território Isil. As mulheres e crianças raptadas são frequentemente vendidas como escravas e vivem nas casas dos seus donos, pelo que Khaleel tem de saber os detalhes das suas vidas para poder planear a fuga.

Khaleel, tal como todos os envolvidos nestas operações, sabe que corre risco de vida e está disposto a correr esse risco, pelo bem das vidas que são poupadas. “Claro que a minha vida está em perigo, mas eu tenho de salvar as nossas crianças e as nossas mulheres. Nunca tenho medo, porque eu não sou melhor do que aqueles que já foram mortos pelo Isil. Mas tento proteger-me porque há muita gente na prisão do Isil que espera por mim para os salvar. Quando salvo uma pessoa do Isil, sinto que tive mais uma vitória contra os terroristas.”

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Depois de as resgatar, Khaleel mantém-se em contacto com as mulheres e crianças, assegurando-se de que elas recebem todos os cuidados médicos e psicológicos de que necessitem. Adicionalmente, ele visita as sobreviventes várias vezes por mês e faz vários esforços para que elas consigam levar uma vida normal.

Para este activista, o Isil está a perder forças e, dentro de cerca de um ano, ele espera ver este grupo a ser eliminado do Iraque. É nessa esperança que assenta todo o seu trabalho, que tem ainda pela frente cerca de 2500 mulheres a precisar de ajuda para escapar.  Caso o Isil não seja eliminado, Khaleel e os seus homens terão centenas de resgates e planos de fuga para orquestrar, antes que todas as reféns sejam devolvidas a casa e às suas famílias.

Como Khaleel, há vários outros activistas preocupados em levar a cabo a libertação destas mulheres, como Nareem Shammo, cujas acções foram motivo de um impressionante documentário. Mas se estes homens e mulheres, sem apoio governamental, conseguiram já esta enorme vitória, imagine o que seria se a ajuda internacional entrasse em acção e ajudasse as restantes vítimas!

[Fotografias obtidas através de capturas de ecrã do próprio documentário.]