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Conheça o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do HIV e da sífilis durante a gravidez.

coracao_barrigaCuba é oficialmente o primeiro país a eliminar o contágio de mãe para filho dos vírus do HIV e da Sífilis. A certificação foi passada no final de Junho, pela Organização Mundial de Saúde, depois de uma investigação rigorosa e aprofundada no país, no final do mês de Março.

María Isela Lantero, a presidente local do Programa Nacional de Prevenção e Controlo do HIV destacou a importância deste passo para a luta contra o HIV e as doenças sexualmente transmissíveis. A médica destaca ainda que estes avanços só foram possíveis graças ao Sistema de Saúde Cubano – que inclui cuidados médicos integrais, gratuitos, acessíveis e regionalizados, baseados na atenção primária de saúde – e de uma vontade política que priorizou o bem-estar da população.

[bctt tweet=”Cuba é o primeiro país a eliminar o contágio de mãe para filho do HIV e da Sífilis.”]

A eliminação da transmissão não é de 100%, mas a taxa de casos reportados onde houve transmissão do vírus da mãe para o filho baixou para 0,2 por cada 1000 nados vivos. Para que estas doenças sejam consideradas eliminadas é necessário que a taxa de infeção seja reduzida para números tão baixos que deixe de ser considerada um problema de saúde pública. No caso do HIV, isto significa uma redução para 2 em cada 100 bebés não infetados, que é a taxa mais baixa que se consegue obter com os métodos de prevenção existentes atualmente. No caso da sífilis essa definição é dada quando se reporta menos de 1 caso por cada 2000 bebés nascidos sem o vírus.

[bctt tweet=”Há, anualmente, cerca de 1.4 milhões de mulheres a engravidar tendo o vírus do HIV.”]

Há, anualmente, cerca de 1.4 milhões de mulheres a engravidar tendo o vírus do HIV. Sem o tratamento necessário, estas mulheres têm entre 15 a 45% de probabilidade de transmitir o vírus aos seus filhos, seja durante a gravidez, o parto ou a amamentação. Mas se a mãe e o bebé receberem os tratamentos antirretrovirais adequados, esse risco desce para apenas 1%.

Como resultado destes esforços, em 2013 houve apenas 2 casos de bebés que nasceram com HIV no país e 3 com sífilis congénita, o que reflete taxas de transmissão abaixo do limiar de eliminação.

gravida_ecoO principal mecanismo de deteção precoce da infeção é feito ainda durante a atenção pre-natal. Todas as grávidas, mesmo as que já conhecem a sua condição médica, realizam provas serológicas e de doenças venéreas, para a sífilis e para o HIV. Quando estas doenças são detetadas a tempo, a mãe passa a ter um seguimento médico e imunológico mais detalhado e recebe tratamento integral com terapia combinada de antirretrovirais genéricos do país, desde as 14 semanas de gestação.

O parto é depois feito por cesariana, para evitar o risco de contágio do bebé com o sangue da mãe e, em casos específicos de infeção no último trimestre, parto prematuro, carga viral alta ou rotura das membranas, febre ou sangramento, faz-se a administração de AZT (Zivoduvina) por via endovenosa. Aos bebés é também dado AZT durante seis semanas, como prevenção, o leite materno é substituído por outro com propriedades semelhantes e os estudos imunológicos são feitos desde o primeiro dia.recem_nascido

Maria Isela Lantero diz ainda que, apesar de toda a informação que já circula relativamente às doenças sexualmente transmissíveis pelo país, há muitas mulheres que não se apercebem do risco que correm e optam por ter relações sexuais desprotegidas. Para ela, as pessoas devem estar mais conscientes da importância de manter a saúde sexual e reprodutiva e esta validação coloca um desafio: manter o trabalho sistemático na prevenção da transmissão, para que não se percam as taxas já conseguidas.

Para ler o artigo na íntegra, ou ver a reportagem dada pela Dra Maria Isela Lantero, visite a Mesa Redonda.

Fotografias de tasha, TryJimmyMedicalPrudensAnoukvanMarsbergen.