Inspirações

Como este homem combateu um problema ambiental com a criação de uma transportadora pública.

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A consciência ambiental tem vindo a ser um tópico cada vez mais falado, ao redor do mundo. Construir infraestruturas que sejam sustentáveis e ao mesmo tempo amigas do ambiente nem sempre é fácil, mas é definitivamente possível.

Esse foi precisamente um dos objectivos de Faron Peckham, quando começou a empresa Ecobus na Ilha de Santiago, em Cabo Verde.

Em Cabo Verde, o transporte público é feito em Toyotas Hiaces que levam os passageiros de umas cidades a outras, fazendo as paragens necessárias em cada ponto do percurso para largar ou tomar mais passageiros – chegando mesmo a fazer desvios à rota, para largar passageiros em suas casas.

Geralmente, as hiaces – como são chamadas – não têm horários fixos, o que representa um problema para a maior parte dos utilizadores deste serviço, que raramente chegam às horas desejadas ao seu destino.

O ecossistema das ilhas cabo-verdianas é muito frágil, pelo que qualquer diferença que se possa fazer na redução da poluição tem um impacto fortíssimo no meio ambiente deste arquipélago. Por isso, além da flexibilidade de horários, o gasto de combustível e a poluição do meio ambiente são factores que Faron queria combater, pelo que procurou uma forma de os contornar.

Ao contrário de qualquer outro meio de transporte público da ilha, os ecobuses saem sempre a horas dos dois pontos de recolha de passageiros – um na Assomada e outro na Praia – fazem 12 viagens por dia, 7 dias por semana, entre as 7h e as 18h e são movidas a óleo vegetal usado, que de outra forma seria despejado na natureza, criando graves problemas ambientais.

O óleo é recolhido em cerca de 40 restaurantes espalhados pela ilha e é depois filtrado para ser usado nos carros da empresa, que foram todos adaptados para poderem trabalhar com este combustível.

Além de ajudar o ambiente e reduzir os custos em combustível para a sua empresa, Faron faz ainda um serviço público aos restaurantes, já que por lei eles são obrigados a deitar fora o óleo queimado, mas não têm qualquer local onde o possam fazer de forma segura para o ambiente. Ainda há um número elevado de restaurantes que não estão dispostos a doar o seu óleo gratuitamente, preferindo nesse caso despejá-lo na natureza, mas Faron espera que no futuro estes estabelecimentos compreendam o impacto que as suas acções têm no ambiente e que mudem de ideias relativamente à reciclagem e à doação dos seus desperdícios para benefício de todos.

Também na óptica do utilizador, as vantagens são notórias: a Ecobus disponibiliza um serviço pontual e com poucos desvios ao percurso, além de oferecer ligação wi-fi gratuita dentro das carrinhas. E mais a Ecobus tem também um impacto socio-económico positivo já que representa mais postos de trabalho e uma subida nos lucros do transporte, já que cada viagem fica mais barata – por não haver gastos com combustível – o que significa um maior ganho no final do dia.

Uma ideia fantástica e relativamente simples de implementar noutros países!

Para mais informações consulte a página da Ecobus.