Curiosidades

Barcelona conta pôr em prática uma iniciativa que promete revolucionar a economia local.

Fotografia de ejaugsburg

Fotografia de ejaugsburg

A Câmara Municipal de Barcelona estabeleceu os próximos seis meses como o período para desenhar e dar a conhecer a nova moeda local da cidade, que prevê que se torne definitiva ainda na primavera. Este tópico tem reunido muita controvérsia, nomeadamente das instituições financeiras, como o Banco de Espanha, que a classificam como “impossível, além de ser indesejada”. O objectivo desta moeda local é a promoção económica das pequenas e médias empresas/comércios, já que as vendas se produzirão localmente, impulsionando a actividade económica interna e evitando, por consequência, que a nova moeda acabe por sair da cidade, como ocorre actualmente com a moeda oficial. Contudo, esta moeda não irá de forma alguma substituir a moeda oficial, que continuará a circular como sempre o fez. Na verdade, apesar dos comentários do Banco de Espanha, especialistas afirmam que sempre que não se crie uma moeda que ameace o monopólio do Banco Central Europeu, não se incorre em nenhum incumprimento legal, especialmente quando estas experiências ocorrem em territórios de pequenas dimensões.

O conceito trabalhado inicialmente gira em torno de uma moeda digital, mais operacional e menos cara que a moeda de papel, que permita os cidadãos e comerciantes comprarem e venderem artigos, mantendo o dinheiro dentro da cidade. Esta será operada através de cartões, como os actuais cartões bancários, ou de dispositivos móveis e será utilizada para as compras nos comércios associados – já que todo este projecto se baseia num sistema de carácter voluntário – que por sua vez favorecem o cliente, ao criarem vantagens e descontos para os utilizadores da moeda. A moeda física deverá existir somente de um ponto de vista simbólico e como lembrança para os turistas que visitam a cidade diariamente.

A utilização de moedas locais paralelas começou em Toulouse, França, em 2010, face ao comportamento do sector financeiro. O sol-violette começou a circular em 2011 e já conta com cerca de 200 postos comerciais que a utilizam. “70% da actividade desta moeda local realiza-se no âmbito alimentar e há 40.000 euros nessa moeda” afirma a activista Camille Pascual. O objectivo é fomentar o comércio local, uma economia que respeita as pessoas e a natureza e resistir à asfixia ocasionada pelas grandes superfícies. A Câmara Municipal de Barcelona está precisamente a basear os seus esforços nos exemplos de êxito de Toulouse, Birstol, Nantes e Sardenha, a partir dos quais conta criar um modelo próprio.

Consciente do trabalho prévio de preparação e sensibilização que terão de conduzir junto dos comerciantes, o comissário do Comércio, Miquel Ortega declara que “Vamos abrir um processo pedagógico em Barcelona para ver que modalidade se pode implementar, explicar as propostas que funcionaram nestes momentos e criar o contexto para que possa prosperar. É um processo a médio prazo que a sociedade tem de tornar seu e a administração dar o seu apoio.” Tal como nos casos referidos anteriormente, o valor desta moeda deverá estar equiparado ao euro e a conversão para a moeda única poderá ser feita a qualquer momento.

Fotografia de capa de ejaugsburg.